sexta-feira, 19 de setembro de 2008

[do choro calado nas noites escuras]

Eu nem sabia se corria ou voava ou caía, eu nem sabia se era céu ou outro azul. Eu pensava que a minha passagem arrancava malmequeres e acordava joaninhas, eu pensava que era a manhã a rasgar a tarde. Pensava que era um segredo-grito, uma estrela cadente a nascer. Eu pensava que era maior que os sonhos e que no meu trilho brotariam roseiras. Eu pensava que o mundo me observava às escondidas e que as pessoas iriam ser mais felizes por ouvirem falar de mim. Eu saltava riachos e troncos caídos e não parava nunca. Eu trepava rochas e árvores, eu entrava sozinha no mar. Eu encontrava as conchas mais bonitas e conseguia ouvir todas as melodias raras, eu sabia que os meus postais eram os únicos mesmo mágicos. Eu sorria da janela de comboios e aviões, eu cantava baixinho quando todos dormiam. Eu partia sem avisar e chegava numa surpresa. Eu achava que era certeza, que era destino.

E ouço outra e outra vez o som dos passos todos e sou só saudade.